
Em 19 dias acabaria o ano de 2009. A data era 13 de Dezembro e a poucos dias do encerramento do ano nada promissor musicalmente apontava algo mais relevante que a morte prematura do Rei do Pop, Michael Jackson. Mas esta pequena fresta temporal foi o bastante para o Nonversation Job se tornar o ato mais importante da década de 2000. Quando a banda dedilhou seus primeiros acordes ninguém teve mais dúvida de estar presenciando um momento único. A partir daí, cada vibração sonora virou história. Enfim a década encerrava com o maior concerto de rock do novo século.
Sob uma fraca chuva típica de Liverpool, o Nonversation Job fez uma apresentação explosiva neste domingo no bar Freijó Street, a Cavern Club da Zona Oeste. Escalados por Luis “Zelaya” Pedro no baixo, Gabriel “Cazuza” Cabelinho na guitarra, Renata no vocal e “Guitar Pro” Drums na bateria, a banda conseguiu transformar as 14 testemunhas do ginásio em 14 apóstolos.

Fã: solo de Cazuza “torrou” amplificador
O forte assédio da imprensa antes do show de fotógrafos, repórteres cinematográficos e agiotas surpreendeu os músicos e o fraco esquema de segurança montado pelo também roadie Lucas. Dedos em riste dos fotógrafos acusando “ditadura” expressou a ansiedade pesada do acontecimento.
O quarteto abriu os trabalhos com Original Prankster do The Offspring para domar o espírito do público logo no começo, seguida de Unnatural Selection e Dakota. O trio não escondeu a inspiração na banda Muse e escolheu três entre os 12 covers na apresentação, ponto negativo para os fãs. Entre os intervalos das músicas, ouvia-se suspiros de desagrado. Da platéia pela falta de critério da banda. Da vizinhança pelo barulho initerrupto.
Renata sonha com carreira solo
Para deleite dos fãs, Cazuza fez um grande solo em Maybe Tomorrow com direito aos efeitos especiais de palco mais avançados. Luzes e fumaça cobriram a guitarra que mais parecia enfeitiçada. Quando sua silhueta revelou-se o público não acreditou com a velocidade e precisão desempenhada.
O baterista teve atuação insegura. Literalmente com a maior presença de palco, o instrumento eletrônico ficou intimidado com a chuva e acabou revelando falta de entrosamento de tempo no começo das músicas. O baixo teve trabalho e brilhantismo com LP. Em alguns momentos iluminados conseguiu reescrever a gramática musical com tappings inaudíveis ao ouvido humano.
A vocalista Renata entrou acanhada frente aos modelos dos companheiros de banda. Trajada sobriamente, ela navegava com segurança nas notas graves, mas o público prendeu a respiração quando Renata atacou o microfone com seus agudos rasgados tal qual o inesperado bote de um tigre faminto ou um murro em ponta de faca.
E o que motivou LP Zelaya a sair do palco antes de Blackbird? Seria alguma mostra de racha do grupo tal qual Paul McCartney exatamente na canção dos Beatles? O momento mais emocionante do show foram os vocais masculinos em O Som da Sua Voz. Fãs efusivos não pouparam aplausos para encorajar os esforços de Gabriel e Luis Pedro a cantar a única música nacional. Cazuza mostrou que pode voltar a cantar nos próximos ensaios.

LP: pentatônicas especiais para o público
A venda de ingressos com preços duvidosos afastou o público do espaço nobre para pesadelo dos organizadores/cambistas. Toda procura foi pela arquibancada lateral com preços populares. A torcida ficou frustada com a falta de músicas famosas. Em resposta após o show, o baixista LP respondeu com “eventual” sobriedade típica das estrelas marrentas do rock:
- Então que comprem o ingresso do show do Wando!
Nossa equipe conseguiu arrancar o set list colado no chão. Confira.
SET LIST
Original Prankster
Unnatural Selection
Dakota
O Som da Sua Voz
Comissioning a Symphony in C
You Know My Name
Uprising
Blackbird
Northern Downpour
Maybe Tomorrow
Plug In Baby
Crushcrushcrush
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Fotos da Agência ARGH
O trio não escondeu a inspiração pela banda Muse e escolheu três entre os 12 covers na apresentação.
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