Vaidade deve ser uma palavra feminina. Ela está próxima dos seus cinqüenta anos. Um momento importante da vida. Hora que as pessoas começam a fechar seu balanço para descobrir o que valeu a pena e suas ilusões. Mas nada sem nostalgia. Estava preocupada com sua intimidade. Sua vaidade sabia distinguir bem quais seriam as roupas de baixo mais atraentes. Vermelho. Sempre.
Mas ela era casada. No seu dedo, um anel um opaco. Os poucos traços de brilho mostram um casamento duradouro e fiel. Ela rodava-o como que num tique nervoso. Talvez fosse hora de reaquecer os melhores momentos do passado. A moça era bonita sim, mas falta reacender a boa sensação da surpresa.
Para isso valia este momento sigiloso. Hora de observar a melhor cor do sutiã e detalhes laterais da calcinha. Com rapidez e distinção puxava os sutiãs da prateleira, um a um, e pousava-os sobre seu corpo, imaginando seu potencial em uma hora avançada da noite. Talvez não fosse a primeira vez a procurar esta ajuda.
A moça parecia conhecer bem onde encontrar suas roupas íntimas. Ela estava nas Lojas Americanas do Barra Shopping, centro comercial onde passam em média 70 mil pessoas em diariamente segundo a assessoria de imprensa. Curiosamente planejada para ser instalada no centro da loja, o setor de roupas íntimas femininas não tem nada de errado. Tudo isso faz parte de uma lógica estratégia de marketing.
A conveniência manda que o estabelecimento pense com bom senso. Antes de chegar ao “centro nervoso” da loja, o cliente é obrigado a vencer uma série de pequenos corredores com vários itens atrativos, mas nem sempre fundamentais para o consumidor. Dependendo do negócio que a loja trate, extensão ou seu perfil, o comerciante posiciona seus itens mais importantes no centro ou no fundo do terreno.
Previamente analisada por pesquisa ou análise estatística, uma loja arranja corredores de quitutes ou itens de alta tecnologia para despertar o ingresso voluntário do consumidor para o interior da loja. Quanto mais tempo dentro melhor pois abre a oportunidade de seduzi-lo com diversas atrativos como abordagem de vendedores, cheiros, sons, músicas, luzes, ambientação, preço, condições de pagamento, entrega, entre outros.
O mais importante é que não há uma fórmula fechada para organizar uma loja e é por isso que cada uma tem suas diferenças, mesmo que não pareça no primeiro momento se tratando de concorrentes. Da próxima vez que for entrar “só pra dar uma olhadinha” não esqueça que a loja é um organismo vivo em mutação que depende de cada ação que o consumidor adota.